Cuidado com uma frase que parece cristã, mas pode esconder um grande perigo: “Nós também cremos na Bíblia, mas…”
É depois desse “mas” que muitos desvios começam.
“Nós cremos na Bíblia, mas também precisamos de outro livro.”
“Nós cremos na Bíblia, mas também precisamos de um profeta moderno.”
“Nós cremos na Bíblia, mas também precisamos de um corpo governante.”
“Nós cremos na Bíblia, mas também precisamos de uma tradição que tenha a palavra final.”
A pergunta é simples: quem manda no fim das contas? A Bíblia julga essas autoridades, ou essas autoridades controlam a Bíblia?
Esse é um dos pontos mais importantes da apologética cristã, porque quase toda seita começa mexendo na autoridade final. Ela nem sempre nega a Bíblia de imediato. Muitas vezes, ela mantém a Bíblia no discurso, mas tira a Bíblia do trono. A Escritura continua sendo citada, mas já não é mais a regra final de fé e prática.
No Mormonismo, por exemplo, a Bíblia é acompanhada por outros escritos considerados sagrados, como o Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios e Pérola de Grande Valor. Nas Testemunhas de Jeová, a Bíblia é interpretada oficialmente sob a direção da organização e de seu corpo governante. No Adventismo do Sétimo Dia, os escritos de Ellen White exercem forte autoridade doutrinária e profética. No Catolicismo Romano, a tradição e o magistério da Igreja são colocados ao lado da Escritura como regra de fé.
O ponto aqui não é atacar pessoas. Muitos adeptos desses grupos são sinceros, zelosos e religiosos. A questão é doutrinária: quando qualquer autoridade passa a controlar o sentido da Bíblia, a Palavra de Deus deixa de ser a autoridade final.
Paulo afirma em Segunda Timóteo, capítulo três, versículos dezesseis e dezessete, que toda a Escritura é divinamente inspirada e útil para ensinar, repreender, corrigir e instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente preparado para toda boa obra. Veja o peso dessa afirmação: a Escritura prepara o homem de Deus para toda boa obra. Ela não é apresentada como uma revelação incompleta, esperando um profeta posterior, um livro adicional ou uma organização exclusiva para completá-la.
Por isso Paulo é tão severo em Gálatas, capítulo um, versículos oito e nove. Ele diz que, ainda que ele mesmo ou até um anjo do céu anunciasse outro evangelho além daquele já anunciado, deveria ser considerado anátema. Isso é muito sério. Nem apóstolo, nem anjo, nem profeta, nem tradição, nem instituição religiosa tem autorização para alterar o evangelho entregue por Deus.
E como o cristão deve agir diante de qualquer ensino? Atos, capítulo dezessete, versículo onze, mostra o exemplo dos bereanos. Eles receberam a mensagem com atenção, mas examinavam diariamente as Escrituras para ver se as coisas eram, de fato, assim. Eles não rejeitaram o ensino por orgulho, nem aceitaram tudo por ingenuidade. Eles testaram tudo pela Palavra.
Judas, versículo três, completa esse princípio ao dizer que devemos batalhar pela fé que uma vez foi entregue aos santos. A fé cristã não é uma obra aberta, esperando atualizações doutrinárias essenciais. A Igreja pode crescer no entendimento, pode estudar melhor, pode explicar com mais clareza, mas não pode inventar outro fundamento.
A Bíblia é suficiente. Isso não significa que não possamos estudar história, teologia, confissões de fé ou tradição cristã. Significa que nenhuma dessas coisas pode ficar acima da Escritura. Tudo deve ser avaliado por ela.
Então, quando alguém disser: “Nós cremos na Bíblia, mas…”, preste atenção. O problema pode estar exatamente depois do “mas”.
Porque uma fé saudável não coloca a Bíblia debaixo de um profeta, de um livro novo, de uma tradição humana ou de uma liderança religiosa. A fé cristã verdadeira se curva diante da Palavra de Deus.
A pergunta final é direta: a sua fé está firmada na Escritura ou em alguém que diz ter autoridade para completar a Escritura?
Deus não deixou seu povo dependente de revelações secretas, intérpretes infalíveis ou autoridades posteriores que possam mudar o evangelho. Ele nos deu sua Palavra. E nela encontramos Cristo, o evangelho da salvação e a verdade suficiente para conduzir a Igreja até o fim.


